segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mestres

            Quando vejo o pensamento e as ações da maioria das crianças e adolescentes nos dias de hoje, me vem à seguinte pergunta: O que foi que mudou? Porque mudou?

           Acho que esta resposta está em todos os lugares, nas casas, nas escolas, nas empresas, e em tudo. As crianças perderam o hábito de ler e não valorizam mais a arte. Mas será que a culpa é delas? Quando você está no colégio à matéria que normalmente é a menos importante é “artes”. A professora da um simples desenho para ele fazer e pronto, esta feita a arte. Arte não é isso, arte exige estudo e se a criança ainda não tem, para isto está na escola. Ela não está lá para simplesmente ganhar uma nota e passar de ano, mas sim, para aprender.

            Mas a palavra aprender está em questão aqui. A forma mais rápida e fácil de obter novos conhecimentos esta nos livros, em sala de aula, nas experiências vividas de cada um e principalmente na forma em que os mestres nos ensinam. ‘Mestre’ também já é uma palavra para se estar em questão, mas falo sobre isso depois. Há um tempo atrás estava na casa de um primo. Naquele dia ele estava chorando muito e fui logo perguntar o que havia acontecido, fiquei muito surpreso quando ele me disse que sua professora o mandou ler um livro porque ele havia conversado demais na sala de aula. Fiquei atônito, no entender dela, ler um livro é um castigo e ela está passando essa forma de pensar para seus alunos. Depois a criança cresce e os pais ficam se perguntando: “Porque meu filho não gosta de ler?”. É muito claro, na escola ele aprendeu que ler é um castigo. E este professor é chamado de “mestre” por alguns. Eu meu ver, mestre não é aquele que simplesmente sabe, mas sim aquele que tem o dom de transmitir tudo seu conhecimento. Na minha opinião, isto sim é um mestre.

            Sempre que converso com meus pais sobre a época em que eles estudavam, presto a atenção nessa palavrinha mágica. Eles se lembram dos professores como literalmente mestres do ensino e sempre lembram alguma coisa que eles lhe ensinaram. Agora eu é que pergunto. Vá a alguma criança e pergunte para ela o que ele acha daquela professora de Língua Portuguesa, por exemplo. E se ela se lembra de alguma coisa que lhe foi ensinada. Não precisa fazer essa pesquisa para saber que o resultado não será tão bom assim. A conclusão que eu chego é que a culpa não é dessa criança, mas sim do ‘mestre’ que ela tem na escola e que diz pra ela que ler um livro é o castigo porque ela conversou demais na aula de hoje.

            Obviamente que não podemos generalizar as coisas, pois conheço pessoalmente muitos mestres de verdade. Tenho o exemplo dentro de minha própria casa onde minha mãe é professora e sempre que escuto os alunos falarem sobre ela, escuto a palavrinha: “Minha mestre”! Não tenho vergonha de falar que fico muito orgulhoso com isso. O que estou dizendo é que as maiorias dos professores só estão preocupados em receber seus salários no fim do mês, se os alunos aprenderem ou não é o que menos importa. Mas sim o que importa seria cumprir aquela carga horária e receber seu salário todo mês. E claro, isto não se reflete somente nesta profissão.

            Essa forma de pensar de pensar é o que se reflete na Arte e na Cultura também. As pessoas querem ser artistas pelo dinheiro, pela fama e não pensam no que estão fazendo. Percebo que falta em muitas pessoas a consciência de que tudo o que fazemos terá um reflexo no futuro. Pois toda e qualquer ação não vai mudar apenas a sua vida. Mas sim a vida das pessoas que estão em sua volta, e as que estão em volta delas também e assim vai se formando um ciclo onde uma pessoa é influenciada pela outra.

Chico Buarque, Renato Russo, Pablo Picasso, Fernando Pessoa, eles não faziam suas obras por dinheiro ou pela fama. Eles faziam por amor, por amor as pessoas, por amor a profissão e por amor a si mesmos. Qual o músico que nunca ouviu a pergunta: “Ta, mas e qual o seu trabalho mesmo?”. Chega desse preconceito, de dizer que músico só toca, que pintor só pinta, que professor “só” da aula.

            Eu trabalho com música e claro, vejo a cultura mais por este lado, mas sei da importância, de uma obra de arte, de um poema, uma poesia, uma peça de teatro, um livro, de uma aula. Falamos para as crianças que elas são o futuro do país, mas não nos preocupamos com a forma em que ensinamos isso para elas, às vezes esquecemos que é na infância que ela vai ganhar a personalidade que terá pelo resto da vida. E vida esta que pode ser um novo Picasso, um novo Renato Russo, um novo mestre. Nós estudantes precisamos valorizar nosso ensino, pois se queremos o mudar o país essa é a única forma. Por isso, para ser um mestre de verdade. Faça por amor e estude! Estude Muito!

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